quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Estilhaços, lâminas, sangue


«Estilhaços, lâminas, sangue», um texto de Pedro Eiras sobre «O Vidro», de Luís Quintais. Já disponível n'A Phala online:

https://phala.wordpress.com/2014/04/23/estilhacos-laminas-sangue/

segunda-feira, 31 de Março de 2014

Amanhã, em Coimbra: «O Vidro», de Luís Quintais

(clique na imagem para a aumentar)


A Assírio & Alvim tem o prazer de o/a convidar para uma sessão de apresentação do mais recente livro de Luís Quintais, O Vidro, com a presença do autor e de Pedro Eiras.

O Vidro faz alusão a fragmentos de Anna Calvi, António Damásio, Edmond Jabès, Fernando Pessoa, Martin Amis e T.S. Eliot.

Esta sessão realiza-se amanhã, dia 1 de abril, pelas 18:30, na Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho (Adro de Baixo, 6, Coimbra).

Contamos com a sua presença!

quinta-feira, 13 de Março de 2014

Lançamento de «O Vidro», de Luís Quintais

(clique na imagem para a aumentar)


A Assírio & Alvim tem o prazer de o/a convidar para o lançamento do livro O Vidro, de Luís Quintais, que será apresentado por Gastão Cruz, com leituras a cargo de Almeida Faria.

O Vidro faz alusão a fragmentos de Anna Calvi, António Damásio, Edmond Jabès, Fernando Pessoa, Martin Amis e T.S. Eliot.

Esta sessão realiza-se no dia 18 de março, pelas 18:30, na Livraria Barata (Avenida de Roma, 11-A, Lisboa).

Contamos com a sua presença!

sexta-feira, 7 de Março de 2014

«Lusitânia», 40 anos depois do 25 de Abril

(clique na imagem para a aumentar)


A Assírio &Alvim e a Fnac têm o prazer de o/a convidar para o lançamento do livro Lusitânia, de Almeida Faria, que se realizará no dia 12 de março, pelas 18h30, na Fnac Chiado, em Lisboa. 

No ano em que se comemoram os 40 anos do 25 de Abril, narram-se neste livro os surpreendentes acontecimentos que revolucionaram a sociedade portuguesa desde o domingo de Páscoa de 1974 ao mesmo domingo de 1975. Ao longo de um ano eufórico para muitos, assustador para alguns, a família de A Paixão e Cortes dispersa-se dentro e fora do país, comunicando entre si, antes da existência de telemóveis e e-mails, sobretudo por carta. O que dá a esta agitada narrativa, ora dramática ora divertida, um tom de paródia a certos romances do século XVIII, epistolares e libertinos. Sobre este livro, Pedro Mexia estará à conversa com o autor.

Contamos com a sua presença.


terça-feira, 25 de Fevereiro de 2014

Hoje, a partir das 18:30, na Livraria Barata

(clique na imagem para a aumentar)


Hoje, na Livraria Barata, a partir das 18:30, decorrerá o lançamento do mais recente livro de Luís Filipe Castro Mendes, «A Misericórdia dos Mercados», com apresentação a cargo de Nicolau Santos e de Fernando Pinto do Amaral. Contamos com a sua presença!

segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

Antonio Gamoneda, hoje, em Lisboa

(© Amelia Gamoneda — clique na imagem para a aumentar)


No âmbito do festival literário Correntes d'Escritas decorrerá hoje, pelas 18:30, no Instituto Cervantes de Lisboa, uma leitura poética de Antonio Gamoneda, com apresentação de Filipa Leal — uma ocasião única para escutar um dos maiores poetas espanhóis da atualidade. Contamos com a sua presença!

sábado, 1 de Fevereiro de 2014

Fernando Assis Pacheco (01-02-1937 § 30-11-1995)

(clique na imagem para a aumentar)

3.

O dia em que nasci meu pai cantava
versos que inventam os pastores do monte
com palavras de lã fiada fina
cordeiro lírio neve tojo fonte

esta é uma velha história de família
para dizer como ele e eu chegámos
à raiz mais profunda do afecto
da qual nunca jamais nos separámos

nem Deus feito menino teve um pai
que o abraçasse e lhe cantasse assim
desde a primeira hora até ao fim

fui vê-lo ao hospital quando morria
olhos parados num sorriso leve
tojo cordeiro lírio fonte neve

Lisboa
28-XII-93

in «Respiração Assistida»

sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Livro de Sérgio Godinho dá origem a uma peça de teatro


(clique na imagem para a aumentar)


É já no próximo domingo, dia 2 de fevereiro, que estreia «Medos». Produzida pela umbigo — companhia de teatro, e inserida no Festival APLAUSO, promovido pela Junta de Freguesia de Carnide, esta peça baseia-se num livro de Sérgio Godinho, «O pequeno livro dos medos» e aborda os medos, sem meter medo. Um espetáculo performativo, com humor e jogos cénicos, onde muitos se identificarão com os medos contados. No Centro Cultural de Carnide, a partir das 16h00 — a entrada é livre!

Mais informações aqui: https://www.facebook.com/events/636884136371927/

sexta-feira, 17 de Janeiro de 2014

José Tolentino Mendonça, no Porto de Encontro

(clique na imagem para a aumentar)

No próximo domingo, dia 19, pelas 17:00, contamos com a sua presença na Casa das Artes para o primeiro Porto de Encontro de 2014, onde o convidado central é José Tolentino Mendonça, numa sessão moderada pelo jornalista Sérgio Almeida que contará, também, com os valiosos contributos de Rosa Maria Martelo e de Luis Miguel Cintra.  (Rua Ruben A., 210, Porto).

No dia anterior e à mesma hora, na Biblioteca Pública Municipal do Porto, decorrerá a sessão «À sombra da memória»: lembrar Eugénio de Andrade com Álvaro Siza e José Tolentino Mendonça, numa conversa moderada por Arnaldo Saraiva. (18 de janeiro de 2014, sábado, pelas 17:00 na Biblioteca Pública Municipal do Porto — Rua D. João IV (ao jardim de S. Lázaro).

Contamos com a sua presença!


(clique na imagem para a aumentar)

segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

PRÉMIO LUÍS MIGUEL NAVA PARA JOSÉ BENTO


(clique na imagem para a aumentar)

O Prémio de Poesia  Luís Miguel Nava 2013, da Fundação Luís Miguel Nava, actualmente bienal e referente aos livros de poesia editados em 2011e 2012, foi atribuído ao livro Sítios, de José Bento, publicado pela editora Assírio & Alvim.
No valor de cinco mil euros, o prémio, que, nas doze anteriores atribuições, foi concedido aos poetas Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Echevarría, António Franco Alexandre, Armando Silva Carvalho, Manuel Gusmão, Fernando Guimarães, Manuel António Pina, Luís Quintais, António Ramos Rosa, Pedro Tamen, A. M. Pires Cabral e Helder Moura Pereira,  correspondeu à decisão unânime de um júri constituído, como habitualmente, por quatro membros da direcção da Fundação Luís Miguel Nava, Carlos Mendes de Sousa, Fernando Pinto do Amaral, Gastão Cruz e Luís Quintais, e um elemento convidado, desta vez o professor, poeta e ensaísta Fernando J B Martinho.

quarta-feira, 27 de Novembro de 2013

Lançamento do livro «A Papoila e o Monge», de José Tolentino Mendonça

(clique na imagem para a aumentar)


Contamos com a sua presença!

terça-feira, 26 de Novembro de 2013

Mário Cesariny (09/08/1923 § 26/11/2006)

(clique na imagem para a aumentar)


ALEGORIA DO MUNDO NA PASSAGEM DE ARNALDO DE VILLANOVA

Ouro trigo leão e prata e crina
te esperam sob o vaso menstrual
Separarás primeiro a água e a mina
porque a Água não é um mineral

No coágulo te espera areia fina
e sob a areia planta sideral
que ao manto do Rei Verde se combina
porque a Planta não é um vegetal

Ao homem cabe o Ouro de buscá-lo
E a sua cria       morta ou imortal
tirá-la-ás do ventre de cavalo
porque o Homem não é um animal

E se o espelho de cobre te fascina
se te aparece o Monstro do Umbral
que à ígnea terra o astro abismo ensina
e nas trevas afunda       o Bem e o Mal

Reduz expurga fende e ilumina
e com espada de fogo talha e inclina
porque o Fogo não é o seu sinal


Mário Cesariny, in «Uma Grande Razão — os poemas maiores», ed. Assírio & Alvim.


sábado, 23 de Novembro de 2013

Herberto Helder (23/11/1930)


Fotografias do espólio de Alberto Lacerda



até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa


Herberto Helder, in «Servidões», Assírio & Alvim, 2013.

sexta-feira, 15 de Novembro de 2013

Lançamento do livro «O Senhor Pina» e apresentação do Clube dos Amigos à Espera do Pina

(clique na imagem para a aumentar)


A Assírio & Alvim e o Clube dos Amigos à Espera do Pina convidam-no(a), no dia do aniversário de Manuel António Pina, a assistir a uma sessão de apresentação do livro «O Senhor Pina». Inês Fonseca Santos estará à conversa com Álvaro Magalhães e Luiz Darocha a propósito deste livro, recentemente publicado pela Assírio & Alvim. Mais tarde, Germano Silva e João Luiz apresentarão o recém fundado Clube dos Amigos à Espera do Pina. Haverá ainda leituras, a cargo de Rui Spranger, e será projectado o vídeo «À Espera do Senhor Pina», da autoria de Joana Rodrigues.

Contamos com a sua presença na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto, no próximo dia 18 de novembro, pelas 21:30. Não falte!


terça-feira, 15 de Outubro de 2013

Álvaro de Campos § 15/10/1890 — 30/11/1935


Arre, que tanto é muito pouco!
Arre, que tanta besta é muito pouca gente!
Arre, que o Portugal que se vê é só isto!
Deixem ver o Portugal que não deixam ver!
Deixem que se veja, que esse é que é Portugal!
Ponto.

Agora começa o Manifesto:
Arre!
Arre!
Oiçam bem:
ARRRRRE!


in Álvaro de Campos, «Poesia». Edição de Teresa Rita Lopes. Assírio & Alvim.

sexta-feira, 11 de Outubro de 2013

Maria Gabriela Llansol — Lançamento

(clique na imagem para a aumentar)

O Espaço Llansol e a Assírio & Alvim convidam-no(a) para o lançamento do livro Numerosas Linhas — Livro de Horas III (Jodoigne-Herbais, 1979-1980), de Maria Gabriela Llansol, que decorrerá no próximo sábado, dia 12 de outubro, pelas 16:30, no Palácio Valenças, em Sintra, no decurso das Quintas Jornadas Llansolianas de Sintra. A apresentação estará a cargo de Paula Morão, professora da Faculdade de Letras de Lisboa. Contamos com a sua presença.

quarta-feira, 9 de Outubro de 2013

Lançamento de «Cortes», de Almeida Faria

(clique na imagem para a aumentar)

O escritor Almeida Faria regressa ao Fórum FNAC para apresentar a edição revista da sua obra literária, Cortes. Neste livro, que será apresentado por Pedro Mexia, a acção decorre durante o sábado de aleluia de abril de mil novecentos e setenta e quatro, pouco antes do dia que mudará Portugal. Ao longo das vinte e quatro horas deste segundo painel da chamada Tetralogia Lusitana, sonhos e premonições anunciam cortes profundos no mundo das suas personagens.

Dia 10 de outubro, pelas 18:30, na Fnac Chiado, em Lisboa.

segunda-feira, 23 de Setembro de 2013

Álvaro Mutis — 25/08/1923 § 22/09/2013


(clique na imagem para a ampliar)


«UN BEL MORIR…»

De pé numa barca parada no meio do rio
cujas águas passam em lento remoinho
de lodos e raízes,
o missionário abençoa a família do cacique.
Os frutos, as jóias de vidro, os animais, a selva,
recebem os breves sinais da bem-aventurança.
Quando descer a mão
terei morrido no meu quarto
cujas janelas vibram à passagem do eléctrico
e o leiteiro virá em vão pelas garrafas vazias.
Para esse momento ficará bem pouco da nossa história,
alguns retratos em desordem,
umas cartas guardadas não sei onde,
o que foi dito naquele dia ao despir-te no campo.
Tudo se irá desvanecendo no esquecimento
e o grito de um macaco,
o fluir esbranquiçado da seiva
pela ferida casca do látex,
o chapinhar das águas contra a quilha em viagem,
serão assunto mais memorável do que os nossos longos abraços.



Álvaro Mutis in «Os Versos do Navegante — antologia poética», selecção e prólogo de Lauren Mendinueta e tradução de Nuno Júdice; ed. Assírio & Alvim, 2013. Fotografia de Daniel Mordzinski.

sexta-feira, 9 de Agosto de 2013

Mário Cesariny § 09/08/1923 — 26/11/2006

Mário Cesariny em Tenerife. Fotografia de Perfecto Cuadrado



YOU ARE WELCOME TO ELSINORE

Entre nós e as palavras há metal fundente
entre nós e as palavras há hélices que andam
e podem dar-nos morte    violar-nos    tirar
do mais fundo de nós o mais útil segredo
entre nós e as palavras há perfis ardentes
espaços cheios de gente de costas
altas flores venenosas    portas por abrir
e escadas e ponteiros e crianças sentadas
à espera do seu tempo e do seu precípicio

Ao longo da muralha que habitamos
há palavras de vida    há palavras de morte
há palavras imensas, que esperam por nós
e outras, frágeis, que deixaram de esperar
há palavras acesas como barcos
há palavras homens, palavras que guardam
o seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras, surdamente,
as mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras nocturnas palavras gemidos
palavras que nos sobem ilegíveis à boca
palavras diamantes palavras nunca escritas
palavras impossíveis de escrever
por não termos connosco cordas de violinos
nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
e os braços dos amantes escrevem muito alto
muito além do azul onde oxidados morrem
palavras maternais só sombra só soluço
só espasmo só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
e entre nós e as palavras, o nosso dever falar

in «A Única Real Tradição Viva — Antologia de Poesia Surrealista Portuguesa» (organização de Perfecto E. Cuadrado).




quinta-feira, 1 de Agosto de 2013

António Maria Lisboa § 01/08/1928 — 11/11/1953

(clique na imagem para a aumentar)



RÊVE OUBLIÉ

Neste meu hábito surpreendente de te trazer de costas 
neste meu desejo irreflectido de te possuir num trampolim 
nesta minha mania de te dar o que tu gostas 
e depois esquecer-me irremediavelmente de ti 

Agora na superfície da luz a procurar a sombra 
agora encostado ao vidro a sonhar a terra 
agora a oferecer-te um elefante com uma linda tromba 
e depois matar-te e dar-te vida eterna 

Continuar a dar tiros e modificar a posição dos astros 
continuar a viver até cristalizar entre neve 
continuar a contar a lenda duma princesa sueca 
e depois fechar a porta para tremermos de medo 

Contar a vida pelos dedos e perdê-los 
contar um a um os teus cabelos e seguir a estrada 
contar as ondas do mar e descobrir-lhes o brilho 
e depois contar um a um os teus dedos de fada 

Abrir-se a janela para entrarem estrelas 
abrir-se a luz para entrarem olhos 
abrir-se o tecto para cair um garfo no centro da sala 
e depois ruidosa uma dentadura velha 
E no CIMO disto tudo uma montanha de ouro 

E no FIM disto tudo um Azul-de-Prata. 


António Maria Lisboa, in «Poesia».